A economia brasileira inicia o ano com um desafio adicional: o agronegócio não deverá repetir o forte impulso dado ao PIB em ciclos anteriores, reduzindo sua contribuição para o crescimento nacional. Com isso, o desempenho econômico de 2026 tende a ser ainda mais dependente do consumo das famílias e do setor de serviços, que inclui comércio, transportadoras, bancos e uma ampla gama de prestadores de serviços.
Segundo projeções de mercado, 59% do crescimento econômico previsto para 2026 virá do setor de serviços, consolidando-o como o principal motor da atividade. A avaliação de economistas aponta que, apesar da resiliência desse segmento, o ambiente macroeconômico continuará pressionado pelos juros elevados, que seguem limitando investimentos e reduzindo o ritmo de expansão.
Ainda assim, especialistas consultados indicam que uma desaceleração mais intensa deve ser evitada graças à expansão da renda e aos estímulos ao consumo promovidos pelo governo, fatores que ajudam a sustentar a demanda interna. Esse equilíbrio entre restrições monetárias e incentivos fiscais deve resultar em um crescimento mais moderado.
As estimativas coletadas pelo Banco Central para o boletim Focus apontam para uma desaceleração do PIB, passando de 2,3% em 2025 para 1,8% em 2026, caso o cenário projetado se confirme. A combinação de menor tração do agronegócio, juros altos e estímulos ao consumo desenha um ano de desafios, mas também de oportunidades para setores diretamente ligados ao comportamento das famílias.
